Josué Guimarães
Atualizado: 22 de out.
Josué Marques Guimarães: Um Legado Literário em Canela/RS
A Vida de Josué Marques Guimarães
Josué Marques Guimarães nasceu em 7 de janeiro de 1921, em São Jerônimo, no interior do Rio Grande do Sul. Quando criança, mudou-se com a família para Rosário do Sul, na fronteira com o Uruguai. Esse cenário marcante influenciou sua imaginação e serviu de inspiração para muitos personagens e atmosferas em seus livros. Na adolescência, em Porto Alegre, Josué se aproximou do jornalismo e da escrita. Ele fez jornal escolar, fundou um grêmio literário, escreveu peças teatrais e começou a trilhar o caminho que o levaria às grandes redações do país.

Jornalista e Homem Público
Desde jovem, Josué iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, trabalhando em jornais e revistas. Ele passou por importantes veículos gaúchos e nacionais, atuando como repórter, redator, cronista, comentarista, ilustrador e diretor. Trabalhou em periódicos como Diário de Notícias, Correio do Povo, Folha da Tarde, Última Hora, Zero Hora e na revista O Cruzeiro. Josué também criou o jornal satírico D. Xicote e foi correspondente na União Soviética, na China, em Portugal e na África. Ele acompanhou de perto a Revolução dos Cravos e as lutas por independência das colônias portuguesas.
Na política, foi eleito o vereador mais votado de Porto Alegre pelo PTB, chegando à vice-presidência da Câmara Municipal. Durante seu mandato, idealizou o Salão de Artes da Câmara, criado pela Lei nº 940, de 1952. Ele também chefiou o gabinete do então deputado federal João Goulart, atuando na Secretaria do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul.
Josué dirigiu a Agência Nacional entre 1961 e 1964, já com Jango na presidência da República. Defensor da democracia, ele foi perseguido pela ditadura militar após o golpe de 1964. Optou por viver na clandestinidade, afastando-se dos cargos oficiais e mantendo-se com trabalhos em publicidade, consultoria, livraria e colaborações na imprensa.

O Escritor que Começou “Tarde”
A estreia na ficção aconteceu apenas aos 49 anos, com o livro de contos Os ladrões, lançado em 1970 e premiado no Concurso de Contos do Paraná. Em menos de vinte anos, Josué publicou cerca de vinte livros, incluindo romances, coletâneas de contos e obras infantis. Ele se consolidou como um dos grandes nomes da literatura brasileira. Entre suas obras marcantes está a série A ferro e fogo (1972 e 1973), pensada como uma trilogia sobre a colonização alemã no Rio Grande do Sul. O terceiro volume ficou inacabado após sua morte. Outros livros notáveis incluem Camilo Mortágua e obras para jovens leitores, como A casa das quatro luas e Meu primeiro dragão, que ajudaram a formar novas gerações de leitores.
Josué e Canela
Na década de 1980, já consagrado como romancista, Josué escolheu Canela como seu refúgio afetivo e criativo. A casa no Laje de Pedra ficou pronta em 1983, um espaço pensado para ser abrigo de silêncio, inspiração e trabalho. Embora não tenha conseguido viver aqui de forma permanente, ele era um veranista apaixonado pela cidade. Josué caminhava pelas ruas, comprava no comércio local e, sobretudo, buscava boas conversas, como quem colhe histórias ao vento.
Josué faleceu em 23 de março de 1986, em Porto Alegre, vítima de câncer intestinal. No mesmo ano, a Câmara Municipal de Porto Alegre realizou uma sessão solene em sua homenagem. A Biblioteca Municipal da capital passou a levar seu nome, reconhecendo seu papel como homem público e intelectual.
O vínculo de Josué com a Serra, porém, continuou por meio de sua esposa, Nydia Guimarães. Ela se mudou em definitivo para Canela em 1989, trazendo consigo um legado cultural precioso. Foi graças a Nydia que parte dessa herança literária e humana se integrou à comunidade. Isso permitiu que os canelenses compartilhassem a memória e a presença simbólica de um dos grandes escritores gaúchos. Aos poucos, a cidade incorporou esse legado à sua própria vida cultural. Nydia foi uma das fundadoras da Fundação Cultural de Canela, e a feira literária local adotou o nome Feira do Livro Josué Guimarães.
O Legado de Josué em Canela
Assim, além de ser uma presença fundamental na literatura brasileira do século 20, Josué permanece ligado a Canela como referência de leitura, memória e imaginação. Ao dar seu nome à feira do livro, a cidade assume o papel de guardiã desse legado. Ela mantém viva a obra de um autor que sempre acreditou na palavra como forma de compreender e transformar o mundo.
A Importância da Memória Cultural
A memória cultural é essencial para qualquer comunidade. Ela nos conecta com o passado e nos ajuda a entender quem somos. Em Canela, o legado de Josué Guimarães é um exemplo claro de como a literatura pode moldar a identidade de um lugar. Ao celebrar sua obra, a cidade não apenas honra um grande autor, mas também reforça a importância da leitura e da escrita na formação de novas gerações.
A Participação da Comunidade
A participação da comunidade é vital para preservar a memória cultural. Em Canela, iniciativas como a Feira do Livro Josué Guimarães incentivam a leitura e a troca de experiências. Essas ações ajudam a manter viva a história da cidade e a promover o interesse pela literatura. Quando a comunidade se envolve, a cultura se fortalece e se renova.
Conclusão
Josué Marques Guimarães deixou um legado inestimável para Canela e para a literatura brasileira. Sua vida e obra são um convite à reflexão sobre a importância da cultura e da memória. Ao celebrarmos sua história, contribuímos para que as futuras gerações conheçam e valorizem a rica herança cultural da nossa cidade.
Através de ações colaborativas, como as promovidas pelo Almanaque de Canela, podemos garantir que a memória de Josué e de outros grandes nomes da literatura permaneça viva. Assim, continuamos a construir uma comunidade que valoriza suas raízes e se inspira no passado para criar um futuro ainda mais rico em cultura e conhecimento.




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