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Encontro do Cone Sul – Canela, 1992

Atualizado: 13 de jan.


Em fevereiro de 1992, Canela entrou para a história ao sediar um encontro de alto nível que reuniu representantes de quatro países do Cone Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e o Chile que, mesmo não integrando formalmente o Mercosul, esteve presente como parceiro e apoiador daquele momento histórico e decisivo para a integração regional, a cidade serrana tornou-se palco de debates que ajudariam a moldar os rumos do recém-criado Mercosul.


A escolha de Canela não foi casual. Quatro fatores foram determinantes para que o evento acontecesse na cidade:

  1. Infraestrutura de excelência – Canela contava com o Hotel Laje de Pedra, então classificado como cinco estrelas e reconhecido como o melhor hotel do Rio Grande do Sul, oferecendo padrão internacional de hospedagem e segurança.

  2. Localização estratégica – A posição geográfica do hotel, aliada à proximidade com o aeroporto, assegurava conforto logístico e segurança aos chefes de Estado e suas comitivas.

  3. Articulação política – A sólida relação institucional entre o prefeito municipal e o governador do Estado (Alceu Collares) foi fundamental para viabilizar o encontro.

  4. Memória afetiva presidencial – O presidente brasileiro Fernando Collor de Mello guardava lembranças pessoais da cidade, transmitidas por seu pai, Lindolfo Collor, que frequentava o Grande Hotel Canela em sua juventude. Collor, inclusive, fez questão de visitar o local e reviver essas memórias durante o encontro.


Participaram da reunião Fernando Collor de Mello (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Andrés Rodríguez (Paraguai), Luis Alberto Lacalle (Uruguai) e o ministro das Relações Exteriores do Chile, Enrique Silva Cimma.


A Declaração de Canela

O encontro resultou na assinatura da Declaração de Canela, o primeiro documento do Mercosul a tratar explicitamente de questões ambientais. Firmada em Canela (RS) pelos países membros do bloco à época — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — com a participação do Chile como convidado, a declaração consolidou a preocupação ambiental no processo de integração regional, logo após o Tratado de Assunção (1991).


Contexto e importância histórica

  • Pós-Tratado de Assunção – A declaração inseriu definitivamente a pauta ambiental na agenda do Mercosul, ampliando o conceito de integração para além do comércio.

  • Preparação para a Rio-92 – O encontro em Canela antecedeu a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro, alinhando posições e fortalecendo a voz conjunta dos países sul-americanos.

  • Desenvolvimento sustentável – Estabeleceu o princípio de que o crescimento econômico deveria caminhar lado a lado com a proteção dos ecossistemas, reconhecendo o uso responsável e eficiente dos recursos naturais.


Principais pontos da Declaração

  • Integração ambiental – Compromisso dos Estados participantes com a cooperação ambiental regional e a construção de políticas conjuntas.

  • Sustentabilidade como pilar – A sustentabilidade foi afirmada como base para o desenvolvimento futuro do bloco, influenciando acordos e diretrizes posteriores.

  • Participação do Chile – A presença chilena marcou sua inserção no debate ambiental do Mercosul, mesmo antes da adesão plena ao bloco.


Em síntese, a Declaração de Canela representou um marco inaugural da agenda ambiental no Mercosul. Ao unir desenvolvimento econômico, preservação ambiental e cooperação regional, Canela inscreveu seu nome na história diplomática sul-americana — provando que, às vezes, grandes decisões nascem longe das capitais, em lugares onde a memória, a política e a visão de futuro se encontram.


Jornal Nova Época - Informativo Prefeitura Municipal de Canela - 1992
Jornal Nova Época - Informativo Prefeitura Municipal de Canela - 1992



O Grande Voo




Para eternizar a histórica reunião do Cone Sul, a Prefeitura de Canela decidiu erguer um monumento à altura do momento. O então prefeito José Vellinho Pinto encarregou a assessora de Cultura, Nydia Guimarães, de indicar artistas capazes de traduzir, em forma e símbolo, a dimensão daquele encontro.


Nydia não hesitou em sugerir o nome do escultor Carlos Tenius, já amplamente consagrado por obras monumentais, entre elas o emblemático Monumento aos Açorianos. A escolha revelava um cuidado raro: tradição artística aliada à capacidade de pensar grande — como a ocasião exigia.


Após apresentar o protótipo, Tenius foi contratado pela Prefeitura Municipal para executar a obra. A escultura traz cinco pássaros alçando voo, metáfora direta dos países do Cone Su,  unidos por um mesmo impulso de integração, cooperação e futuro compartilhado: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e o Chile, que mesmo não integrando formalmente o Mercosul esteve presente como parceiro e apoiador daquele momento histórico, participando ativamente do diálogo regional que deu origem à Declaração de Canela.


A obra recebeu o nome de “O Grande Voo”.

Instalada na entrada da cidade, no entroncamento das rodovias que ligam Canela a Gramado e ao Parque do Caracol, a escultura passou a saudar moradores e visitantes como um verdadeiro portal simbólico.


Mais do que um monumento, tornou-se um lembrete permanente da relevância e da contribuição decisiva que Canela ofereceu à história diplomática e ambiental do Cone Sul naquele momento singular.






 
 
 

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